Destino: Cerro Sombrero, Primavera, Chile
Distância percorrida: 394 Km
A vista da cidade na chegada a Comandante Luis Piedrabuena, Santa Cruz, Argentina é linda, se tem uma visão panorâmica de toda a cidade e do Rio Santa Cruz encontrando com o mar.
A expectativa era grande para este dia, pois iramos entrar pela primeira vez no Chile e cruzar o Estreito de Magalhães, também havia apreensão, pois não sabíamos quanto tempo iríamos ficar na fronteira para fazer os tramites legais.
Neste trecho tem um hotel interessante, no meio do nada, Hotel de Lemarchand, Santa Cruz, Argentina, tem bombas de combustível, mas não tem combustível. Ali encontramos o Prof. Dr. Oziris Borges Filho (http://www.oziris.pro.br) de Minas Gerais com sua V-Strom em companhia com um Americano que conheceu na estrada, como tinham o mesmo destino resolveram viajar juntos. O americano estava em uma jornada, como estava escrito no cartão "In deep need to rechange", Jarek Trapszo (http://www.jantarek.com/), havia saído de Miami, Miami-Dade, Florida e estava á 5 meses na estrada.
Seguimos para Río Gallegos, Santa Cruz, Argentina, ali abastecemos e troquei o óleo da moto, no posto encontramos três senhores do Moto Grosso do Sul em sua GS 1200, Marcio Monteiro, Nelson Almeida e Ruy Peixoto, cujo frase no adesivo dizia: "...liberdade é pouco, o que buscamos ainda não tem nome", estavam voltando de Ushuaia, desceram pelo Chile e pela rota 40 e iriam voltar pela rota 3.
Reencontramos também o amigo argentino Carlos de Córdoba, Córdoba, Argentina, nos convidou para tomar um café, junto com ele estavam outros dois motociclistas argentinos em duas Transalp, uma dela do primeiro ano que foi vendida na Argentina, contaram que passando um caminhão depois de Comodoro Rivadavia, Chubut, Argentina, a rajada de vendo fui tão forte que derrubou um deles, por sorte ele apenas machucou um dedo, mas a moto ficou toda esfolada e sem freio na dianteira, iriam arrumar ali em Río Gallegos, Santa Cruz, Argentina e seguir viagem.
Não subestime os ventos da patagônia.
No trecho seguinte tivemos uma surpresa, não sabíamos que a Laguna Azul era próxima a rota 3, ao ver a placa resolvemos conhecer. O lugar é ESPETACULAR, é um lago na cratera de um vulcão e conforme o vento bate na água aumenta a intensidade da cor da água, dos lados do vulcão é possível caminhar sobre as rochas formadas pela lava, segundo o que conversamos com um argentino no local, não se conhece a profundidade da lagoa, já foi tentado descobrir mas não acharam o fundo. Neste local encontramos o pessoal com um caminhão-ônibus que estavam percorrendo toda a patagônia e estavam acampando ali (http://www.dragoman.com), e fizemos um amigo da Austrália, que por acaso encontramos novamente em Ushuaia em um Pub Irlandês.
Logo depois da Laguna Azul tem as Aduanas da Argentina e do Chile, foi bem tranquilo, pois chegamos lá era 8 horas da tarde, não havia filas. Para entrar no chile é um pouco mais burocrático, e um detalhe importante: Não se pode entrar no Chile com frutas ou vegetais, eles fazem um revista na moto e se encontrarem vai para o lixo, também é preciso assinar um formulário dizendo que você não tem vegetais, tanto as agentes da Argentina como do Chile não atenderam muito bem e faziam questão de saber como foi a viagem e para onde estávamos indo.
Seguimos em direção ao Estreito de Magalhães, o clima de felicidade era visível em nossos rostos, tão perto do Estreito de Magalhães e tão longe de casa, ao chegar no Estreito de Magalhães a adrenalina estava a mil, a Andréia fez questão de tocar na água. Depois de tanto ouvir falar, estávamos no Estreito de Magalhães.
Impressionante a correnteza do estreito, as balsas chegam a se deslocar em um ângulo de 45º em relação ao ponto de destino, há muito vento, tanto que em determinados momentos a travessia é fechada. Quando estávamos no meio da travessia voltei para perto da moto, pois a balsa estava balançando bastante, tanto que a água das ondas batendo contra a balsa estava molhando a moto (olha que tem uma proteção de uns 3 metros de altura).
Ao desembarcar da balsa chegamos a Terra del Fogo, seguimos até Cerro Sombrero, Primavera, Chile, ali pegamos a primeira chuva da viagem e também foi onde pernoitamos, na entrada da cidade há um hotel, estava cheio de motocicletas, BMW GS 1200, KTM 990, BMW F 650 GS Dakar, V-Strom, ..., a minha é a moto mais pequena que estacionou ali, fui me informar e a diária era de mais ou menos 100 dólares, um pouco caro para o que estávamos procurando, não que não fosse um preço justo, era, mas queríamos algo mais barato. Fomos até o centro e em um mercado pedi informação, nos indicaram um hostel, a 100 pesos por pessoa onde ficamos, era aquecido, tinha TV á cabo e desayuno. Ali encontramos Cristiano Forte (http://www.cristianoforte.com.br) e Fabio Copetti estavam viajando juntos pela América do Sul. O Cristiano é baterista e estava na jornada "Projeto Fortes Ventos III", viajando com sua moto e uma mini-bateria, fazendo música pelo mundo.
Olha que legal:


